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Auxílio-Doença Acidentário (B91) x Comum (B31): Diferenças Que Valem Milhares

DDC LAW·24 de março de 2026·12 min de leitura
Auxílio-Doença Acidentário (B91) x Comum (B31): Diferenças Que Valem Milhares

Existe uma diferença no INSS que pode valer dezenas de milhares de reais ao longo da sua vida — e a maioria dos trabalhadores não conhece. Estou falando da diferença entre o auxílio-doença acidentário (B91) e o auxílio-doença comum (B31). Parece apenas um código diferente, mas as consequências práticas são enormes.

O que muda entre B91 e B31

Ambos são o "auxílio-doença" — benefício por incapacidade temporária previsto no art. 59 da Lei 8.213/91. A diferença está na causa da incapacidade:

  • B31 (comum): incapacidade por doença comum (sem relação com o trabalho)
  • B91 (acidentário): incapacidade por acidente de trabalho, doença ocupacional ou doença do trabalho (art. 20, Lei 8.213/91)

O enquadramento como B91 exige o nexo causal entre a doença/acidente e a atividade laboral, geralmente comprovado por CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) ou pelo NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário).

Tabela comparativa completa: B91 x B31

CritérioB31 (Comum)B91 (Acidentário)
Carência12 contribuições mensaisIsento de carência (art. 26, II, Lei 8.213/91)
FGTS durante afastamentoEmpresa não depositaEmpresa deposita normalmente (art. 15, §5º, Lei 8.036/90)
Estabilidade após altaNão tem12 meses de estabilidade (art. 118, Lei 8.213/91)
CAT obrigatóriaNãoSim (empresa deve emitir em 24h)
Pode virar auxílio-acidenteNãoSim, se houver sequela (art. 86, Lei 8.213/91)
Responsabilidade civil do empregadorEm regra, nãoSim — abre direito a indenização (art. 7º, XXVIII, CF)
Contagem como tempo especialNãoSim, se intercalado com atividade especial
Valor do benefício91% da média salarial91% da média salarial (mesmo cálculo)

Por que a diferença vale milhares de reais

Vamos fazer uma conta prática. Considere um trabalhador com salário de R$3.000,00 afastado por 12 meses:

ItemB31 (Comum)B91 (Acidentário)
FGTS depositado (12 meses × 8%)R$0,00R$2.880,00
Estabilidade 12 meses após altaPode ser demitido imediatamente12 meses de emprego garantido
Se demitido na estabilidade (indenização)R$36.000,00 (12 salários)
Auxílio-acidente vitalício (50% se sequela)Não tem direitoR$1.500,00/mês

No cenário mais favorável, a diferença entre B91 e B31 pode ultrapassar R$50.000,00.

Quando o B31 deveria ser B91 (e a empresa esconde)

Muitas doenças têm origem ocupacional, mas a empresa se recusa a emitir a CAT. As mais comuns:

  • LER/DORT — tendinite, síndrome do túnel do carpo em digitadores e operários
  • Hérnia de disco — trabalhadores que carregam peso
  • Depressão e burnout — reconhecidos como doença ocupacional pelo NTEP
  • Perda auditiva — exposição a ruído acima dos limites

A empresa que não emite CAT comete infração administrativa (art. 22, §2º, Lei 8.213/91) e pode ser multada. Mas o trabalhador, o sindicato ou o próprio médico podem emitir a CAT.

Como converter B31 em B91

Se você recebeu B31 mas acredita que a doença é relacionada ao trabalho, existem dois caminhos:

  1. Pedido de revisão administrativa: solicite ao INSS a conversão do benefício apresentando CAT (emitida pelo sindicato, médico ou você mesmo), laudos que demonstrem nexo causal e documentação do ambiente de trabalho
  2. Ação judicial: se o INSS negar administrativamente, a Justiça pode determinar a conversão com base em perícia judicial. O juiz nomeará perito que avaliará o nexo causal

O NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário — Decreto 6.042/2007) pode ser seu aliado: ele presume automaticamente que certas doenças são ocupacionais em determinadas atividades econômicas, invertendo o ônus da prova.

Doença equiparada a acidente de trabalho

O art. 20 da Lei 8.213/91 equipara ao acidente de trabalho:

  • Doença profissional: produzida ou desencadeada pelo exercício da atividade (ex: silicose em mineradores)
  • Doença do trabalho: adquirida em função de condições especiais do trabalho (ex: LER em digitadores)

E o art. 21 equipara também acidentes de percurso (no trajeto casa-trabalho), agressão por terceiros no ambiente de trabalho e contaminação acidental.

Dúvidas frequentes sobre B91 e B31

A empresa se recusa a emitir a CAT. O que faço?

Você mesmo pode emitir a CAT pelo Meu INSS ou pedir ao sindicato da categoria. O médico que atendeu também pode emitir. A empresa que se recusa comete infração e pode ser multada pelo Ministério do Trabalho (art. 22, §2º, Lei 8.213/91).

Posso converter o B31 em B91 mesmo depois que o benefício acabou?

Sim. O pedido de revisão pode ser feito a qualquer tempo enquanto não prescrito o direito (10 anos para revisão de benefício, conforme art. 103 da Lei 8.213/91). Os efeitos financeiros são retroativos, incluindo depósitos de FGTS e estabilidade.

Burnout pode gerar auxílio-doença acidentário?

Sim. A Síndrome de Burnout (CID-11: QD85) é reconhecida como doença ocupacional pela OMS desde 2022 e está contemplada pelo NTEP em diversas atividades econômicas. Se houver nexo com o trabalho, o benefício correto é o B91.

O valor do B91 é maior que o do B31?

O cálculo é o mesmo: 91% da média dos salários de contribuição. A diferença de valor aparece nos direitos acessórios — FGTS depositado durante o afastamento, estabilidade de 12 meses e possibilidade de auxílio-acidente posterior.

Está recebendo B31 quando deveria ser B91? A Dra. Juliana Darin da Cunha pode avaliar seu caso, emitir ou orientar sobre a CAT e buscar a conversão do benefício — recuperando FGTS, estabilidade e demais direitos.

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