A perícia médica do INSS é o momento que define se você vai receber ou não seu benefício por incapacidade. Em muitos casos, segurados com doenças reais e incapacitantes saem da perícia com o benefício negado — não porque não mereciam, mas porque cometeram erros evitáveis. Depois de acompanhar centenas de casos, identificamos os 7 erros mais graves que fazem pessoas perderem seus benefícios.
Erro 1: Ir sem exames atualizados
O erro: Levar apenas exames antigos (de 6 meses, 1 ano atrás) ou ir sem nenhum exame complementar.
Por que prejudica: O perito precisa avaliar seu estado atual. Exames antigos podem indicar que a condição já foi resolvida. Sem exames objetivos, o perito fica limitado ao exame clínico de poucos minutos.
O que fazer: Leve exames dos últimos 30 a 90 dias. Priorize: ressonância magnética, tomografia, exames laboratoriais recentes, laudos de especialistas. Se não conseguiu marcar exames pelo SUS a tempo, explique ao perito e registre por escrito que os exames estão pendentes.
Erro 2: Minimizar os sintomas para "parecer forte"
O erro: Disfarçar a dor, dizer que "tá melhorando" ou que "dá pra aguentar", por vergonha ou orgulho.
Por que prejudica: O perito registra exatamente o que você diz. Se você minimiza, ele conclui que a incapacidade é leve ou inexistente. Não é o momento de ser corajoso — é o momento de ser honesto.
O que fazer: Descreva seu dia real. Se você não consegue varrer a casa, diga. Se acorda com dor às 3h da manhã, diga. Se precisa de ajuda para vestir a roupa, diga. Seja específico e verdadeiro.
Erro 3: Não levar o CID da doença
O erro: Levar atestados e laudos que descrevem a doença por nome popular, sem o código CID-10.
Por que prejudica: O sistema do INSS trabalha com CID. Sem o código, o registro fica vago e pode gerar classificação errada da sua condição.
O que fazer: Peça ao seu médico que inclua o CID-10 completo em todos os documentos. Exemplo: não basta "depressão" — precisa ser F32.1 (Episódio depressivo moderado) ou F33.2 (Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave).
Erro 4: Faltar à perícia
O erro: Não comparecer na data agendada sem justificativa.
Por que prejudica: A falta sem justificativa resulta em indeferimento automático do pedido. Você terá que recomeçar todo o processo do zero.
O que fazer: Se não pode comparecer, reagende ANTES pelo Meu INSS ou pela Central 135. Se teve uma emergência médica no dia, guarde o comprovante (atestado de pronto-socorro, por exemplo) e entre em contato imediatamente.
Erro 5: Não descrever as limitações do dia a dia
O erro: Responder apenas "tenho dor nas costas" ou "estou com depressão" sem detalhar o impacto funcional.
Por que prejudica: O perito avalia incapacidade para o trabalho, não apenas diagnóstico. Ter uma doença não significa automaticamente estar incapaz. Você precisa mostrar o impacto real.
O que fazer: Prepare-se para responder:
- "Não consigo ficar sentado mais que 20 minutos" (se trabalha em escritório)
- "Não consigo levantar peso acima de 3 kg" (se trabalha com carga)
- "Tenho crises de pânico ao sair de casa" (se trabalha presencialmente)
- "Não consigo me concentrar para ler um parágrafo" (se trabalha com análise)
Relacione a limitação diretamente com sua atividade profissional.
Erro 6: Contradizer seus próprios laudos médicos
O erro: Dizer algo na perícia que contradiz o que está nos laudos que você apresentou.
Por que prejudica: O perito compara o que você diz com o que está documentado. Se o laudo diz "dor no ombro direito" e você reclama do esquerdo, se o laudo diz que a dor começou em janeiro e você diz março — o perito registra inconsistência, e isso gera desconfiança.
O que fazer: Leia seus próprios laudos antes da perícia. Saiba o que está escrito, as datas, os diagnósticos. Se houver alguma divergência legítima (ex: a dor migrou de um lado para outro), explique ao perito de forma clara.
Erro 7: Ir sem documentação organizada
O erro: Chegar com uma sacola de papéis bagunçados e entregar tudo ao perito para ele "se virar".
Por que prejudica: A perícia dura em média 10 a 15 minutos. O perito não vai gastar tempo organizando seus documentos. Se ele não encontrar o que precisa, vai registrar "documentação insuficiente".
O que fazer: Organize os documentos nesta ordem:
- Laudo médico mais recente (com CID e declaração de incapacidade)
- Exames complementares (do mais recente ao mais antigo)
- Receituários de medicações atuais
- Laudos anteriores mostrando histórico da doença
- Relatório do médico do trabalho (se houver)
Use um envelope ou pasta com os documentos na ordem. Se possível, faça uma folha-resumo no topo listando todos os documentos apresentados.
Bônus: O que levar no dia da perícia (checklist)
- Documento de identidade com foto + CPF
- Carteira de trabalho (física ou digital)
- Número do requerimento (NB)
- Todos os laudos e exames organizados
- Lista de medicações em uso
- Comprovante de agendamento da perícia
Perícia agendada? Prepare-se com quem entende.
Orientamos você sobre documentação, postura e estratégia para maximizar suas chances na perícia do INSS.
