BlogPrevidenciário

Perícia Médica do INSS: Como Se Preparar Para Não Perder o Benefício

DDC LAW·11 de janeiro de 2026·8 min de leitura
Perícia Médica do INSS: Como Se Preparar Para Não Perder o Benefício

A perícia médica do INSS é o momento mais decisivo para quem solicita auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) ou aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez). Em uma consulta que dura em média 15 a 20 minutos, o perito federal avalia se você está ou não incapaz para o trabalho. Uma preparação adequada pode ser a diferença entre ter o benefício concedido ou negado.

O que o perito avalia na perícia

O perito médico do INSS não é seu médico — ele é um avaliador. Sua função é verificar:

  • Se existe doença ou lesão diagnosticada por exames e laudos
  • Se essa condição gera incapacidade para o trabalho habitual do segurado
  • Se a incapacidade é temporária ou permanente
  • A data de início da incapacidade (DII) — isso afeta diretamente o valor dos atrasados
  • Se há possibilidade de reabilitação profissional

É importante entender que o perito analisa a incapacidade laboral, não apenas a existência da doença. Uma pessoa pode ter uma doença grave e ainda assim ser considerada capaz para algum tipo de trabalho.

Documentos que você deve levar (checklist)

A regra de ouro é: tudo por escrito. O perito não pode considerar o que não está documentado.

DocumentoPor que é importante
Laudos médicos detalhadosDevem conter CID, diagnóstico, tratamento e prognóstico
Exames de imagem (raio-X, ressonância, tomografia)Prova objetiva da condição
Exames laboratoriais recentesMostram evolução ou gravidade
Receituário médicoComprova medicações em uso contínuo
Relatório do médico assistenteO mais importante — deve descrever a incapacidade para o trabalho específico
Atestados de internaçãoDemonstram gravidade e períodos críticos
Carteira de trabalho / holeritesComprova a atividade habitual exercida

Como se comportar durante a perícia

O comportamento durante a perícia importa mais do que muitos imaginam:

  1. Seja honesto — não exagere os sintomas nem minimize. Fale exatamente o que sente e o que não consegue fazer
  2. Descreva seu dia a dia — o perito pode perguntar se você consegue cozinhar, limpar a casa, dirigir. Responda pensando na sua rotina real
  3. Explique sua atividade profissional — detalhe o que fazia no trabalho: se carregava peso, ficava em pé, fazia movimentos repetitivos
  4. Não tenha medo de mostrar dor — se determinado movimento causa dor, demonstre naturalmente
  5. Organize os documentos — entregue tudo em uma pasta organizada, de preferência em ordem cronológica

O que acontece se o perito negar

Se o resultado da perícia for desfavorável, você tem opções:

  • Recurso administrativo: prazo de 30 dias junto ao CRPS (Conselho de Recursos da Previdência Social)
  • Pedido de reconsideração: quando há fato novo, como exame que não tinha na época
  • Ação judicial: na Justiça Federal, um perito judicial independente fará nova avaliação. A taxa de reversão de negativas de auxílio-doença na Justiça gira em torno de 40% a 60%

Exemplo prático: Ana, auxiliar de limpeza, teve o auxílio-doença negado apesar de hérnia de disco L4-L5 com compressão radicular. O perito do INSS concluiu que ela "pode trabalhar". Na ação judicial, o perito do juiz considerou que Ana não pode exercer sua atividade habitual (que exige esforço físico intenso) e o benefício foi concedido com atrasados de R$ 13.662,00 (9 meses x R$ 1.518,00).

Dica essencial: o relatório do seu médico

O documento mais valioso na perícia é o relatório do médico assistente. Peça ao seu médico que elabore um relatório detalhado contendo:

  • Diagnóstico com CID-10
  • Data de início dos sintomas e do tratamento
  • Tratamentos realizados e em curso
  • Limitações funcionais específicas (ex: "não pode permanecer em pé por mais de 15 minutos", "não pode carregar peso acima de 5kg")
  • Prognóstico e previsão de recuperação
  • Declaração expressa de incapacidade para a atividade habitual

Perícia por telemedicina: o que mudou

Desde 2024, o INSS ampliou a possibilidade de perícia por telemedicina em alguns casos. A análise pode ser feita exclusivamente com base em documentos médicos, sem exame físico presencial. Isso é mais comum em casos com farta documentação, como pós-operatórios e doenças com exames objetivos. Porém, se o INSS agendar perícia presencial, o comparecimento é obrigatório — a ausência resulta em indeferimento automático.

A perícia médica é o momento mais importante do seu processo no INSS. Não vá despreparado. Se você precisa de orientação sobre como organizar sua documentação e aumentar suas chances, entre em contato com nosso escritório para uma consultoria antes da perícia.

Precisa de orientação sobre benefícios do INSS?

Consulta inicial gratuita. Tire suas dúvidas sem compromisso.

Falar com Especialista