A perícia médica do INSS é o momento mais decisivo para quem solicita auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) ou aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez). Em uma consulta que dura em média 15 a 20 minutos, o perito federal avalia se você está ou não incapaz para o trabalho. Uma preparação adequada pode ser a diferença entre ter o benefício concedido ou negado.
O que o perito avalia na perícia
O perito médico do INSS não é seu médico — ele é um avaliador. Sua função é verificar:
- Se existe doença ou lesão diagnosticada por exames e laudos
- Se essa condição gera incapacidade para o trabalho habitual do segurado
- Se a incapacidade é temporária ou permanente
- A data de início da incapacidade (DII) — isso afeta diretamente o valor dos atrasados
- Se há possibilidade de reabilitação profissional
É importante entender que o perito analisa a incapacidade laboral, não apenas a existência da doença. Uma pessoa pode ter uma doença grave e ainda assim ser considerada capaz para algum tipo de trabalho.
Documentos que você deve levar (checklist)
A regra de ouro é: tudo por escrito. O perito não pode considerar o que não está documentado.
| Documento | Por que é importante |
|---|---|
| Laudos médicos detalhados | Devem conter CID, diagnóstico, tratamento e prognóstico |
| Exames de imagem (raio-X, ressonância, tomografia) | Prova objetiva da condição |
| Exames laboratoriais recentes | Mostram evolução ou gravidade |
| Receituário médico | Comprova medicações em uso contínuo |
| Relatório do médico assistente | O mais importante — deve descrever a incapacidade para o trabalho específico |
| Atestados de internação | Demonstram gravidade e períodos críticos |
| Carteira de trabalho / holerites | Comprova a atividade habitual exercida |
Como se comportar durante a perícia
O comportamento durante a perícia importa mais do que muitos imaginam:
- Seja honesto — não exagere os sintomas nem minimize. Fale exatamente o que sente e o que não consegue fazer
- Descreva seu dia a dia — o perito pode perguntar se você consegue cozinhar, limpar a casa, dirigir. Responda pensando na sua rotina real
- Explique sua atividade profissional — detalhe o que fazia no trabalho: se carregava peso, ficava em pé, fazia movimentos repetitivos
- Não tenha medo de mostrar dor — se determinado movimento causa dor, demonstre naturalmente
- Organize os documentos — entregue tudo em uma pasta organizada, de preferência em ordem cronológica
O que acontece se o perito negar
Se o resultado da perícia for desfavorável, você tem opções:
- Recurso administrativo: prazo de 30 dias junto ao CRPS (Conselho de Recursos da Previdência Social)
- Pedido de reconsideração: quando há fato novo, como exame que não tinha na época
- Ação judicial: na Justiça Federal, um perito judicial independente fará nova avaliação. A taxa de reversão de negativas de auxílio-doença na Justiça gira em torno de 40% a 60%
Exemplo prático: Ana, auxiliar de limpeza, teve o auxílio-doença negado apesar de hérnia de disco L4-L5 com compressão radicular. O perito do INSS concluiu que ela "pode trabalhar". Na ação judicial, o perito do juiz considerou que Ana não pode exercer sua atividade habitual (que exige esforço físico intenso) e o benefício foi concedido com atrasados de R$ 13.662,00 (9 meses x R$ 1.518,00).
Dica essencial: o relatório do seu médico
O documento mais valioso na perícia é o relatório do médico assistente. Peça ao seu médico que elabore um relatório detalhado contendo:
- Diagnóstico com CID-10
- Data de início dos sintomas e do tratamento
- Tratamentos realizados e em curso
- Limitações funcionais específicas (ex: "não pode permanecer em pé por mais de 15 minutos", "não pode carregar peso acima de 5kg")
- Prognóstico e previsão de recuperação
- Declaração expressa de incapacidade para a atividade habitual
Perícia por telemedicina: o que mudou
Desde 2024, o INSS ampliou a possibilidade de perícia por telemedicina em alguns casos. A análise pode ser feita exclusivamente com base em documentos médicos, sem exame físico presencial. Isso é mais comum em casos com farta documentação, como pós-operatórios e doenças com exames objetivos. Porém, se o INSS agendar perícia presencial, o comparecimento é obrigatório — a ausência resulta em indeferimento automático.
A perícia médica é o momento mais importante do seu processo no INSS. Não vá despreparado. Se você precisa de orientação sobre como organizar sua documentação e aumentar suas chances, entre em contato com nosso escritório para uma consultoria antes da perícia.
