Entrar com um processo trabalhista pode parecer intimidador, mas é um direito de todo trabalhador que teve seus direitos violados. Neste guia, explicamos cada etapa do processo — da decisão de processar até o recebimento dos valores — para que você saiba exatamente o que esperar.
Quando vale a pena entrar com uma ação trabalhista?
A ação trabalhista é indicada quando a empresa descumpriu obrigações legais e não há solução amigável. Exemplos comuns:
- Não pagamento de verbas rescisórias
- Horas extras não pagas
- Registro incorreto em carteira
- Assédio moral ou sexual
- Acidente de trabalho sem CAT ou suporte
- Desvio ou acúmulo de função sem compensação
- Demissão durante estabilidade
Passo 1: Consulta com advogado
O primeiro passo é procurar um advogado trabalhista para avaliar seu caso. Na consulta, leve todos os documentos que tiver: carteira de trabalho, contracheques, e-mails, conversas de WhatsApp, fotos, testemunhas. O advogado vai analisar se há fundamento jurídico e estimar o valor da causa.
Passo 2: Reunir provas e documentos
As principais provas em um processo trabalhista são:
- Documentais: CTPS, contracheques, TRCT, extrato FGTS, e-mails, mensagens
- Testemunhais: colegas de trabalho que possam confirmar os fatos
- Periciais: laudo médico em caso de doença ocupacional ou acidente
Importante: prints de WhatsApp são aceitos como prova na Justiça do Trabalho, desde que seja possível identificar os interlocutores e as datas.
Passo 3: Petição inicial
O advogado elabora a petição inicial, documento que descreve os fatos, os direitos violados e os valores pedidos. A petição é protocolada eletronicamente no sistema PJe (Processo Judicial Eletrônico) da Justiça do Trabalho.
Passo 4: Audiência de conciliação
Após o protocolo, o juiz agenda uma audiência de conciliação. Nela, as partes tentam chegar a um acordo. Estatísticas mostram que cerca de 40% dos processos trabalhistas são resolvidos em acordo. Se houver acordo, o processo termina ali. Se não houver, segue para a fase de instrução.
Passo 5: Audiência de instrução
Na audiência de instrução, são ouvidas as testemunhas de ambas as partes. O juiz faz perguntas, os advogados também. É o momento mais importante do processo, pois a prova testemunhal tem grande peso na decisão.
Passo 6: Sentença
Após as audiências, o juiz profere a sentença. O prazo médio entre o início do processo e a sentença é de 6 a 12 meses, dependendo da vara e da complexidade do caso. A sentença pode ser favorável total, parcial ou improcedente.
Passo 7: Recursos
Ambas as partes podem recorrer da sentença. O recurso ordinário é julgado pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho). Depois, ainda há possibilidade de recurso ao TST (Tribunal Superior do Trabalho). Os recursos podem estender o processo por mais 1 a 3 anos.
Passo 8: Execução
Quando a decisão se torna definitiva (transitada em julgado), inicia-se a fase de execução. Se a empresa não pagar voluntariamente, o juiz pode determinar penhora de bens, bloqueio de contas bancárias e outras medidas para garantir o pagamento.
Custos do processo
Para o trabalhador, os custos diretos são baixos:
- Custas processuais: 2% sobre o valor da causa (isento com justiça gratuita)
- Honorários do advogado: geralmente sobre o êxito (20% a 30%)
- Risco de sucumbência: se perder, pode ser condenado a pagar 5% a 15% ao advogado da empresa
Quanto tempo demora no total?
Em média, um processo trabalhista leva de 1 a 3 anos do início ao recebimento. Se houver acordo na primeira audiência, pode ser resolvido em 2 a 4 meses. Se houver recursos até o TST, pode chegar a 5 anos.
O que fazer agora
Se você acredita que teve seus direitos trabalhistas violados, não espere o prazo de prescrição (2 anos) passar. Reúna seus documentos, organize suas provas e procure orientação jurídica.
Quer saber se vale a pena entrar com uma ação? Fale com a nossa equipe. Avaliamos seu caso e explicamos suas chances de forma transparente.
